“GOAT” (Him), novo trabalho de Justin Tipping com produção do visionário Jordan Peele, estreia com a proposta ambiciosa de unir esporte, mistério e horror psicológico em um só campo narrativo. O resultado, embora promissor em diversos aspectos, tropeça justamente onde deveria brilhar: no roteiro.
A trama acompanha Cameron Cade (Tyriq Withers), um jovem quarterback em ascensão moldado desde a infância para se tornar o melhor jogador de futebol americano do país. A pressão vem principalmente de seu pai e da inspiração em seu ídolo, Isaiah White (Marlon Wayans), uma lenda viva do esporte que também trilhou um caminho meteórico rumo ao estrelato.

Se há algo que o longa faz com competência é sua escalação de elenco. Conhecido por suas performances cômicas, Marlon Wayans surpreende ao entregar aqui uma de suas atuações mais intensas e dramáticas — alucinada, imersiva e repleta de nuances, carregando grande parte da atmosfera tensa. O ator se reinventa e convence com vigor, mostrando que é mais do que apenas um rosto do humor hollywoodiano.
Tyriq Withers, por sua vez, demonstra amadurecimento notável desde seus papéis em “Eu sei o que vocês fizeram no Verão passado” (2025) e “Não conte para a mãe que a babá morreu” (2024). Sua química com Wayans sustenta o núcleo emocional do filme, mesmo quando a história vacila.

Visualmente, “GOAT” é um espetáculo. A fotografia impressiona com enquadramentos precisos e panorâmicas que elevam o campo de futebol a um espaço quase mítico — ora glorioso, ora sombrio. O cuidado técnico é evidente, e a estética reforça a dualidade entre o sonho da glória esportiva e os pesadelos que ele pode esconder.
No entanto, o grande calcanhar de Aquiles está no roteiro. A narrativa é previsível e se desenvolve de maneira linear, desperdiçando o potencial do suspense psicológico que promete nos primeiros atos. A conclusão, prática demais, deixa de explorar com profundidade os temas que levanta — como a masculinidade tóxica, a obsessão pelo sucesso e o peso das expectativas familiares.

“GOAT” acaba sendo mediano. Não compromete, mas também não inova. Em um ano em que o terror tem se mostrado prolífico e ousado, a obra de Tipping fica aquém do impacto que poderia ter.
Ainda assim, para os fãs de futebol americano e do gênero de terror, pode ser uma experiência curiosa e, em alguns momentos, envolvente — especialmente se o objetivo for apenas entreter.
por Artur Francisco – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa promovida pela Universal Pictures.