Crítica: Apanhador de Almas

O cinema nacional tem apresentando um aumento contínuo na quantidade, qualidade e variedade de suas produções de terror que merece ser conhecidas pelos fãs do gênero. Entre elas, temos “Apanhador de Almas”.

Aqui, um grupo de amigas – Emilia (Klara Castanho), Olivia (Duda Reis), Isabella (Priscilla Sol / Larissa Ferrara) e Mia (Jessica Córes) – aprendendo feitiçaria, vai para a casa de uma suposta bruxa (Ângela Dippe), a fim de realizar um ritual raro. Porém, ficam presas em um jogo mortal que vai levar suas mentes ao limite e expor seus segredos mais profundos.

O “Apanhador de Almas” (Avatar Aang Willians) do título é uma criatura de outra dimensão que prende as garotas, apresentando um visual caprichado que, combinado com a fotografia, gera a sensação de ser uma sombra demoníaca ganhando vida, apesar dos curtos momentos em cena.

O filme pode ser considerado minimalista. Com exceções extremamente rápidas e pontuais, temos apenas cinco pessoas em um casarão na maior parte do tempo. Isso permite tanto focar mais na psiquê das personagens e quantidade dos detalhes cenográficos. Ao mesmo tempo, exige uma grande dedicação para que ambos sejam bem trabalhados.

O casarão em si é quase um cenário à parte. Pequenos elementos vão criando dúvidas e plantando pistas de um mistério muito maior. E a iluminação usa o contraste forte do escuro com outras cores, similares aos clássicos longas de suspense italiano conhecidos como Giallo. O que gera cores estranhas, mas que são perfeitas para ressaltar a prisão mágica que envolve o lugar e os sentimentos dos personagens em cada momento.

Com tudo isso, fica bem claro como, intencionalmente ou não, a obra gera uma mistura bem feita de títulos de bruxaria com produções slasher. Curiosamente, os filmes Giallo são considerados justamente como predecessores do gênero slasher.

Inclusive, a ideia um grupo de jovens que vai se divertir em uma casa no meio do mato e acaba em uma perseguição mortal define bem a primeira leva de slashers e tem suas raízes no Giallo “Ecologia do Delito”.

Retornando às personagens, o pior de cada uma vem à tona na situação progressivamente mais densa, descobrindo pouco a pouco os motivos pessoais que levaram as jovens a estudar magia. O ambiente de tensão, com o lugar inteiro arremessado em outra realidade, gera a dúvida de quem vai sobreviver e quem vai abraçar as trevas.

Foi uma surpresa bem positiva ver a bruxa interpretada pela atriz Ângela Dippe. A mesma marcou a minha infância interpretando Penélope no “Castelo Rá-Tim-Bum” e faz um papel excelente de uma personagem de moral ambígua, transmitindo mistério e poder, mas que nunca se sabe as suas verdadeiras intenções, até os momentos finais.

E talvez o final, sem revelar spoilers, possa causar um pouco de confusão, mas múltiplas dicas dele vão aparecendo desde os primeiros minutos da obra. É o tipo de material que você pode assistir mais de uma vez para reparar detalhes e observar as coisas de um ponto de vista diferente, após as últimas revelações.

Uma obra de baixo orçamento e história simples, porém caprichada, com ambiente e suspense psicológico acima de média e alto potencial para teorias. Fica minha dica de “Apanhador de Almas” para fãs de slasher, bruxaria ou mesmo longas de casas assombradas.

por Luiz Cecanecchia – especial para CFNotícias

*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Retrato Filmes.