Adriano Guimarães, conhecido pela trajetória na direção teatral, faz sua estreia no cinema com “Nada”, filme protagonizado por Bel Kowarick e Denise Stutz.
A trama acompanha Ana (Kowarick), uma artista plástica que retorna à fazenda onde cresceu para restabelecer a relação com a irmã Tereza (Stutz), que, devido ao diagnóstico de um aneurisma, passa a lidar com perdas de memória.

O longa se estrutura como um drama intimista, voltado para a observação das duas irmãs e de seus traumas passados. A narrativa se apoia em diálogos extensos e carregados de emoção, que buscam mergulhar na complexidade dos ressentimentos e afetos das personagens.
Embora nem sempre consiga manter o espectador plenamente envolvido, a obra brasiliense consegue despertar a curiosidade dos espectadores, através da evolução dessa relação fraturada.
Um dos pontos mais interessantes do roteiro escrito por Emanuel Aragão é o recurso do documentário que Ana produz dentro da história — um artifício que enriquece a narrativa e ajuda o público a compreender a protagonista.

Contudo, a direção de Guimarães, ainda marcada por influências teatrais, evidencia certa inexperiência no trato com a linguagem cinematográfica, mas revela também uma sensibilidade promissora.
Estreando esta semana nos cinemas nacionais, “Nada” se apresenta como uma produção delicada, que exige do público um olhar aberto para suas sutilezas e limitações. É um primeiro passo que, apesar das imperfeições, sinaliza potencial para a carreira do diretor no audiovisual.
por Artur Francisco – especial para CFNotícias
*Título assistido em Cabine de Imprensa Virtual promovida pela Embaúba Filmes.